Com a alta das temperaturas, a busca por atividades físicas cresce no Espírito Santo. Professora Cintia Schiavini orienta sobre hidratação e horários, enquanto novos estudos confirmam a relação entre calor extremo e saúde cardiovascular.

A chegada do verão traz consigo um convite irrecusável para a ocupação dos espaços públicos. Praias, calçadões e parques tornam-se o cenário principal para quem deseja abandonar o sedentarismo ou intensificar a rotina de treinos. No entanto, a estação mais quente do ano exige que o entusiasmo venha acompanhado de estratégia: o limite entre o benefício do exercício e o risco à saúde torna-se mais tênue sob o sol forte.

Especialistas alertam que, nesta época, os cuidados com a pele, o corpo e, fundamentalmente, a alimentação, devem ser redobrados. O erro mais comum é levar o corpo ao extremo sem o devido preparo para as condições climáticas adversas.

O que praticar?

Para quem deseja aproveitar a estação, a orientação é focar no dinamismo e no prazer da prática. Segundo a professora Cintia Schiavini, as melhores opções para o período são as atividades de cunho aeróbico.

“São recomendadas práticas como caminhadas, corridas, ciclismo, lazer na água, Beach Tennis e vôlei de areia. Porém, essas atividades devem ser praticadas moderadamente e, rigorosamente, nos horários em que o sol está menos agressivo”, orienta a especialista.

Cintia Schiavini destaca ainda um fator muitas vezes ignorado: a condição ambiental. “O excesso de calor, a alta sensação térmica e até a poluição das praias, tanto na areia quanto na água, são variáveis que devem ser levadas em conta antes de iniciar o exercício”, afirma.

O Corpo Fala: Desidratação e Insolação

A exposição às altas temperaturas sem os devidos cuidados pode desencadear quadros que exigem atenção imediata.

  1. Desidratação: Muito mais do que apenas “sede”, ela compromete as funções vitais. Com a redução de líquidos, o sangue torna-se mais espesso, a pressão arterial tende a cair e órgãos como rins e coração trabalham sobrecarregados, gerando fadiga precoce.
  2. Insolação: É a resposta do corpo ao superaquecimento. Sintomas como falta de ar, dor de cabeça intensa, pele quente e tonturas são sinais de alerta que não podem ser ignorados.

O que a Ciência diz: Calor e Coração

A orientação para “pegar leve” nos dias muito quentes não é apenas cautela, é ciência. Estudos recentes reforçam que proteger-se do calor é também proteger o sistema cardiovascular.

Uma pesquisa de peso publicada no renomado periódico JAMA Cardiology, que analisou mais de 250 mil pacientes na Suécia, demonstrou que o calor extremo aumenta significativamente os riscos para o coração, especialmente em pessoas que já possuem alguma predisposição.

Meta-análises de centenas de estudos indicam um dado impressionante: cada aumento de 1°C na temperatura diária pode elevar em cerca de 2,1% a mortalidade por causas cardiovasculares.

Isso significa que treinar em locais com boa ventilação, respeitar os limites do corpo e manter-se hidratado são as melhores ferramentas para garantir que o exercício continue sendo sinônimo de vida e saúde.

Orientação Profissional: Seu Melhor Equipamento

O verão é o momento ideal para se divertir, mas a segurança deve vir em primeiro lugar. O CREF22/ES reforça a importância de sempre buscar a orientação de um Profissional de Educação Física registrado. Ele é o especialista capacitado para dosar a intensidade do seu treino, garantindo que você aproveite o melhor da estação com o coração protegido e a saúde em dia.

Fonte e Referências Científicas: Para aprofundamento técnico sobre a relação entre calor extremo e risco cardiovascular, acesse o estudo completo citado na matéria: ESC Scientific Statement: Extreme Heat Poses Significant Cardiovascular Risk